03/05/2018

[Resenha] Quando o mal tem um nome - Glau Kemp

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Titulo: Quando o mal tem um nome 
Autora: Glau Kemp 
Editora: Autor Independente (Amazon) 
Número de páginas: 204 
Ano: 2017 
Gênero: Suspense/Terror
Adquira o Ebook: Amazon
Sinopse: “Sinto medo. O tipo de medo que persegue até a presença de outras pessoas. Segue até a luz e entra nas cobertas. Não está debaixo da cama ou dentro armário. Está em minha pele e tem um nome. Não pergunte. Não descubra. Nunca saiba o nome do seu medo, ou irá chamá-lo... Seus lábios podem estar selados, mas sua mente repetirá: Donavan... Donavan... Donavan.”
Na Aparecida dos anos 70, uma cidade erguida no centro de um milagre, conhecemos a história de Marta e sua filha Clara. De sua terra cultivada por fé a malignidade cresce no coração de uma mãe devota. As orações que a padroeira não atende são feitas agora para eles: anjos caídos. Ela não deveria saber o nome do demônio que atendeu sua prece, e a abominação despertada é tão grande que todos vão pagar pelo seu pecado. O mal só precisava que alguém o chamasse pelo nome e agora está entre nós.
"Faça uma oração antes de dormir e deixe a luz acesa. Se vir a fé em seus olhos, talvez vá embora. Mas ele virá”


— Por que um demônio iria querer vir até à casa de Deus, minha jovem?
— Por que o senhor iria até a casa do demônio, padre?
— Para levar a luz até ele.
— O demônio também tem seus planos.
Olá amores tudo bem com vocês? Essa semana estava procurando algum livro de terror para ler no kindle Unlimited e me deparei com um livro que na verdade eu já estava querendo ler há algum tempo. Quando um mal tem nome, foi lançado ano passado na Amazon e desde então está em primeiro lugar nos mais lidos entre seu gênero.

O livro se passa na década de 70 e conta a história de Marta, uma mulher muito devota a nossa senhora Aparecida, padroeira da cidade onde mora, casada, já na casa dos quarenta anos e com dois filhos meninos, Marta está esperando o seu terceiro filho e deseja com todas as forças que seja uma menina. Após descobrir que irá abrir uma clínica aonde será possível fazer um ultrassom e descobrir o sexo do bebê que espera, Marta logo inventa uma desculpa para ir ao centro de São Paulo com o marido.


Mas ao chegar a clínica e descobrir que está grávida de outro menino Marta se desespera e uma cigana que a encontra na rua, entrega a ela um papel com um número de telefone e diz que isso irá ajudar a resolver este problema. Desesperada e ainda sonhando com uma filha menina, Marta acaba ligando para o número que pegou com a cigana e descobre que apenas sua fé por nossa senhora de Aparecida, não será o bastante para realizar o sonho de ter uma filha.

" — Pra esse neném se chamar Clara, vai ter que fazer mais do que acender vela. E eu não disse que era pro diabo. Um demônio não vai resolver seu problema, você precisa de um mago capaz de invocar vários. — A mulher deixou um cartão na mão dela e se foi. A grávida apertou a barriga, assustada, porém emocionada. Mencionar o nome do bebê antes do nascimento atraía mau agouro e nunca comentou com ninguém que se fosse menina seria batizada de Maria Clara. Nem João sabia da escolha."

E assim, nasce Maria Clara, uma menina muito inteligente e do jeito que Marta sempre sonhou, mas aos poucos mãe e filha vão percebendo que as coisas não são tão maravilhosas assim e a filha que antes era um sonho passa a ser um pesadelo na vida de Marta, a personificação do pecado que ela cometeu, a pessoa cuja a presença não a deixa esquecer nem por um segundo tudo que ela fez para que aquela criança nascesse e fosse uma menina.

"O homem que vai até a casa do diabo, partilha da sua comida, bebe da sua bebida, mas não teme sua ira. É mais perigoso que o próprio diabo, pois somente quando o aprendiz supera o mestre ele deixa de temê-lo."

O livro é narrado em terceira pessoa, a narrativa flui muito bem, e é dividido em duas partes. A escrita da autora me cativou ainda no prefácio, já me deixando curiosa para saber o desfecho da história. A trama é muito original, se desenrola de rápido, mas não deixa falhas. Sinceramente nunca tinha lido nada assim do gênero e eu terminei este livro sentindo orgulho dele ser escrito por uma brasileira.

Os personagens são bem trabalhados, e a autora não deixou de considerar a década em que eles viviam, afinal, em 1970 ainda tinha muito machismo e as mulheres eram impedidas e submetidas a muita coisa. Aliás esta é uma das preocupações de Marta, que queria ter uma filha para ser sua sucessora nos cuidados com a casa e com os irmãos.

Por fim, este livro me surpreendeu muito e eu já estou louca para ler mais livros da autora. É um livro de terror que faz jus a todo sucesso (merecido) que vêm conquistando.
Beijos!