04/12/2018

[Resenha] O jardim das borboletas - Dot Hutchison

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Titulo original: The butterfly garden
Autora: Don Hutchison
Ano de publicação: 2017
Número de páginas: 304
Gênero: Thriller
Editora: Planeta
Skoob: Adicione
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Sinopse: Quando a beleza das borboletas encontra os horrores de uma mente doentia. Um thriller arrebatador, fenômeno no mundo inteiro. Perto de uma mansão isolada, existia um maravilhoso jardim. Nele, cresciam flores exuberantes, árvores frondosas... e uma coleção de preciosas “borboletas”: jovens mulheres, sequestradas e mantidas em cativeiro por um homem brutal e obsessivo, conhecido apenas como Jardineiro. Cada uma delas passa a ser identificada pelo nome de uma espécie de borboleta, tendo, então, a pele marcada com um complexo desenho correspondente. Quando o jardim é finalmente descoberto, uma das sobreviventes é levada às autoridades, a fim de prestar seu depoimento. A tarefa de juntar as peças desse complexo quebra-cabeça cabe aos agentes do FBI Victor Hanoverian e Brandon Eddinson, nesse que se tornará o mais chocante e perturbador caso de suas vidas. Mas Maya, a enigmática garota responsável por contar essa história, não parece disposta a esclarecer todos os sórdidos detalhes de sua experiência. Em meio a velhos ressentimentos, novos traumas e o terrível relato sobre um homem obcecado pela beleza, os agentes ficam com a sensação de que ela esconde algum grande segredo.




Sabe aqueles thrillers que te prende do início ao fim, e te deixa pesando nele mesmo após a última página? O jardim das borboletas é um livro assim. Com uma premissa instigante, Dot Hutchison nos apresenta uma história impossível de largar.
 
Com uma narrativa alternada entre o passado e o presente, conhecemos Maya. Uma garota, que agora livre de seu sequestrador, está sendo interrogada e começa a contar de forma apática e bem descritiva como foi parar no jardim, como conviveu com o jardineiro, seus filhos e outras garotas que também estavam em cativeiro com ela.

“Borboletas de verdade poderiam voar, escapar. As borboletas do jardineiro só podiam cair, e ainda assim raramente.” 

Este homem, que era apenas chamado de jardineiro, era um homem rico, doente, obcecado por borboletas, e que sequestrava garotas entre dezesseis e vinte um anos. Tatuava borboletas em suas costas, abusava sexualmente delas, lhe dava novos nomes, e as prendia dentro de um lugar que chamavam de jardim. Maya passa a contar de forma crua e sincera todo o pesadelo que passou naquele jardim desde o momento que chegou ali. Os relatos da garota são dolorosos e com o desenrolar da história percebemos o quão doente uma mente pode ser. Até que ponto ela pode pelo desejo absurdo de capturar e ter para si aquilo que tanto admira.

 


A única coisa que sabemos no início da história é que este pesadelo chegou ao fim. Mesmo assim, é impossível não ficar agoniado com tudo que acontece dentro daquele jardim. Mesmo o jardineiro sendo um homem que não permite que suas prisioneiras se machuquem, ele é cruel, as mantém por seu bel-prazer e tem uma forma assustadora de mostrar a elas, como ele sempre as manterá intactas com o tempo.


“Borboletas são criaturas de vida curta, e isso também fazia parte da mensagem que ela transmitia para as outras.”



Maya é uma personagem que desde o início instiga a nossa curiosidade, é impossível não devorar este livro para ter esta curiosidade saciada, e ter respostas de como tudo acabou e se Maya teve algo a ver com isso. Já que sua frieza e sua suposta apatia ao relatar todos acontecimentos chega a ser assustadora.

A cada página que lia eu torcia para que aquele pesadelo tivesse fim. Senti raiva, ânsia e tristeza. Um misto de sentimentos que me deram agonia, mas me manteve presa a história. O jardim das borboletas é uma leitura pra quem tem estomago. Uma leitura que nos faz questionar muitas coisas. Uma história extremamente bem desenvolvida, triste e cruel que mostra que monstros muitas vezes são pessoas que leva uma vida aparentemente normal, e também traz críticas aquelas pessoas passivas, que veem o mal acontecendo e que por medo que aquilo possa atingir a si ou a alguém que ama se mantém calado perante injustiças.


“Não fazer uma escolha é uma escolha. Neutralidade é um conceito, não um fato. Ninguém vive a vida desse jeito, não realmente.”


Por fim só posso dizer que O jardim das borboletas é um livro marcante e perturbador, que te faz continuar pensando nele dias após ter lido. Se você gosta de um thriller bem escrito e tem um estomago forte com certeza irá se ver preso nesta história tão assustadora e cruel também.
Beijos!