[Resenha] Lady Killers - Assassinas em série - Tory Telfer


“ O que acontece que acontece quando as pessoas são confrontadas com uma assassina em série? Quando a ideia de “sexo frágil” se quebram e fitamos os desconcertantes olhos de uma mulher com sangue seco sob as unhas? Primeiro provavelmente daríamos uma checada para ver se ela é ou não gostosa.”

Lady Killers é um dos mais recentes lançamentos da Darkside books, e neste livro conhecemos diversas assassinas mulheres. Isso pode até ser chocante para algumas pessoas, por quê vamos ser sinceros, quando falamos de serial killers, a primeira coisa que vai aparecer na cabeça de uma pessoa que escuta esta palavra é: homens que matam diversas pessoas, mas e quando são mulheres? Mulheres não são capazes de matar tanto quanto os homens?

Neste livro Tory Telfer traz  “biografias” de diversas assassinas em série, que viveram em várias épocas e em vários lugares do mundo. Dentre elas a história que mais me chocou: Elizabeth Báthory, conhecida como A condessa sangrenta, a mulher que torturava seus empregados e os matava na maioria das vezes com requintes de crueldade. Tory Telfer confronta também o sexismo que leva as pessoas a acreditarem que uma mulher nunca seria capaz de matar inúmeras pessoas com o sem justificava nenhuma.

Estas mulheres foram desacreditadas, sexualizadas, quando deveriam pagar pelos seus crimes, que muitas vezes demoravam para ser descobertos porque quem iria suspeitar que uma mulher estaria mantando tanta gente, não é mesmo? Mas elas eram inteligentes, articuladas e algumas usaram isso ao seu favor, como no caso da Elizabeth Báthory, que além de ser mulher, usava seu status como condessa.

“Não é que a sociedade não reconheça a existência do mal nas mulheres, até porque as mulheres já foram retratadas como coniventes e malévolas. Verdadeiras mensageiras do apocalipse, desde que Eva comeu a maçã.”
 


Lady Killers – Assassinas em série cumpre aquilo que promete, com uma narrativa fluida e cativante, conhecemos a histórias destas mulheres que tiveram seus crimes apagados pelo tempo e que a maioria de nós nem sequer ouvimos falar, mas que não deixam de ser cruéis. Outro ponto positivo do livro é que a autora aborda estas histórias sem romantiza-las ou tirar o peso de tamanha crueldade, mas ao mesmo tempo confronta o sexismo que infelizmente ainda é presente na nossa sociedade.

“ A sra. Halliday vai morrer estampava as manchetes no dia seguinte. Lizzie foi arrastada até o tribunal naquela manhã e ficou em pé sem nenhum sinal de compreensão em seus olhos enquanto o juiz lia o veredito: morte por execução na cadeira elétrica. Foi a primeira vez que uma mulher recebeu essa sentença.”



Lady Killers foi uma leitura que eu devorei apesar de se tratar de temas mais pesados, mas como eu estou acostumada consegui conclui-lo em poucos dias, mesmo assim posso dizer: leiam sem medo! Lady Killers não é só um livro interessante para quem gosta de ler sobre serial killers, mas um livro importante para entendermos que o mal não tem sexo e que qualquer pessoa é capaz de um ato de crueldade.

Beijos!!



Titulo original: Lady Killers: Deadly Women Throughout History
Autora: Tory Telfer
Número de páginas: 384
Editora: Darkside Books (Selo Crime Scene)
Gênero: Biografia/Crime
Adicione: Skoob 
Adquira o livro: Amazon ✰ Darkside
Sinopse:  Quando pensamos em assassinos em série, pensamos em homens. Mais precisamente, em homens matando mulheres inocentes, vítimas de um apetite atroz por sangue e uma vontade irrefreável de carnificina. As mulheres podem ser tão letais quanto os homens e deixar um rastro de corpos por onde passam — então o que acontece quando as pessoas são confrontadas com uma assassina em série? Quando as ideias de “sexo frágil” se quebram e fitamos os desconcertantes olhos de uma mulher com sangue seco sob as unhas? Prepare-se para realizar mais uma investigação criminal ao lado da DarkSide® Books e sua divisão Crime Scene®. Esqueça tudo aquilo que você achava que sabia sobre assassinos letais — perto de Mary Ann Cotton e Elizabeth Báthory, para citar apenas algumas, Jack, o Estripador ainda era um aprendiz. Inspirado na coluna homônima da escritora Tori Telfer no site Jezebel.com, Lady Killers: Assassinas em Série é um dossiê de histórias sobre assassinas em série e seus crimes ao longo dos últimos séculos, e o material perfeito para você mergulhar fundo em suas mentes. Com um texto informativo e espirituoso, a autora recapitula a vida de catorze mulheres com apetite para destruição, suas atrocidades e o legado de dor deixado por cada uma delas. As histórias são narradas através de um necessário viés feminista. Telfer dispensa explicações preguiçosas e sexistas e disseca a complexidade da violência feminina e suas camadas. A autora também contesta os arquétipos — vovó gentil, mãe carinhosa, dama sensual, feiticeira traiçoeira, entre outros — e busca entender por que as mulheres foram reduzidas a definições tão superficiais. Além disso, questiona a “amnésia coletiva” a respeito dos assassinatos cometidos por mulheres. Por que falamos de Ed Kemper e não de Nannie Doss, a Vovó Sorriso, que dominou as páginas dos jornais norte-americanos em 1950 por seu carisma e piadas mórbidas (ela matou quatro maridos)? Por que continuamos lembrando apenas de H.H. Holmes quando Kate Bender recebia viajantes em sua hospedaria (e assassinava todos que ousavam flertar com ela)? A linha que divide o bem e o mal atravessa o coração de todo ser humano. Lady Killers: Assassinas em Série faz parte da coleção Crime Scene®: histórias reais, de assassinos reais, indicadas para quem tem o espírito investigador. Entre os títulos da coleção estão Casos de Família e Arquivos Serial Killers, de Ilana Casoy, e o best-seller Serial Killers: Anatomia do Mal, de Harold Schechter. O livro de Tori Telfer, ilustrado pela artista salvadorenha Jennifer Dahbura e complementado com uma rica pesquisa de imagens, se junta a estas grandes fontes de estudo para alimentar a mente dos darksiders mais curiosos. Através das páginas de Lady Killers: Assassinas em Série os leitores vão perceber que estas damas assassinas eram inteligentes, coniventes, imprudentes, egoístas e estavam dispostas a fazer o que fosse necessário para ingressar no que elas viam como uma vida melhor. Foram implacáveis e inflexíveis. Eram psicopatas e estavam prontas para dizimar suas próprias famílias. Mas elas não eram lobos. Não eram vampiros. Não eram homens. Mais uma vez, a ficha mostra: elas eram horrivelmente, essencialmente, inescapavelmente humanas.



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